Recuperación Deportiva y Mental tras una Lesión

Recuperação Desportiva e Mental após uma Lesão

No passado sábado, dia 29 de janeiro, participei no III CONGRESSO INTERNACIONAL DE READAPTAÇÃO E PREVENÇÃO DE LESÕES NA ATIVIDADE FÍSICA E NO DESPORTO. I CONGRESSO DE SAÚDE E EXERCÍCIO FÍSICO. Organizado pela JAM Sports em Valência, e intervirei na mesa redonda “Return to training”, contribuindo com a minha experiência em recuperação desportiva, como desportista e treinador.

Aproveitando esta magnífica oportunidade que me é dada pelo comité organizador, gostaria de aprofundar de alguma forma o tratamento psicológico e o trabalho mental quando recebemos a notícia e parece que o mundo nos muda para pior perante um problema físico.

Procurei desenvolver algumas orientações de trabalho, estratégias psicoemocionais e descrição de pensamentos, para poder sair reforçado animicamente quando a palavra lesão, infelizmente, entra na nossa vida. É claro que devemos enfrentar uma paragem temporal imediata, tanto a nível funcional diário como mental, pelo que o nosso principal objetivo deve ser agir e pensar para não permitir que as palavras força, confiança ou entrega possam passar para segundo plano.

A palestra

Fiz um percurso pessoal sobre essas fases ou momentos pelos quais um desportista passa desde que salta o sinal de alarme no nosso organismo. Seja sob a forma de um desconforto passageiro (ao qual sempre devemos prestar atenção ao nosso corpo e, antes de tudo, parar, deixar de fazer por um momento, dia ou tempo indeterminado). E passando depois pela fase da realidade do diagnóstico e da firmeza nos prazos de recuperação desportiva.

E assim até aos metros finais deste processo, onde vemos a luz ao fundo do túnel e devemos continuar a manter a prudência e a cautela, evitando precipitações.

As minhas contribuições terão mais a ver com a parte do trabalho e desenvolvimento mental, para converter este processo de retenção física em aprendizagem e crescimento mental e até pessoal. Uma frase que sempre marcava a parte final dos nossos planos de treino semanais era “os grandes desportistas lutam pelas medalhas, mas os invencíveis são aqueles que crescem perante as adversidades”.

Uma afirmação que ficou muito gravada e que, com o passar de tantas dores, lesões e danos físicos, se tornou uma das máximas na nossa carreira desportiva, tanto para o meu irmão e alma gémea Juan Carlos, como para mim.

os grandes desportistas lutam pelas medalhas, mas os invencíveis são aqueles que crescem perante as adversidades

Como amantes e praticantes do nosso desporto-paixão que é o atletismo, entre ambos acumulamos dez fraturas por stress entre metatarsos, escafoide e peróneos, inúmeras ruturas musculares-fibrilares de gémeos e soleus, as archiconhecidas fascite plantar e uma ou outra amostra e “presente” em forma de dano nos tendões de Aquiles.

Após mais de 25 anos dedicados ao treino de corpo e alma, tentando correr e competir o mais rápido possível nas distâncias de 800 e 1500 metros planos.

Mesmo assim, e depois de toda esta classe de “aventuras e desventuras” médicas, se algo nos continua completamente intacto ou mais forte é o desejo de nos superarmos, de nos querermos levantar após cada queda, o saber dar a volta por cima e converter um mau momento em algo salvável e significativo.

Há muito tempo aprendi que por trás de cada episódio difícil na vida, há sempre uma experiência mais positiva. E que se há algo que nunca se lesiona é a ilusão e essa deve ser a célula-mãe que nutre todo o nosso organismo, que atua como fator de crescimento pessoal, que nos liberta essas endorfinas e estímulos que às vezes temos quando treinamos e competimos, cumprindo objetivos e ajuda nos momentos mais críticos, deixando de lado o muro das lamentações para construir uma muralha de caráter e personalidade mais forte e consistente.

Fases para a Recuperação Desportiva

Vamos abordar essas três fases para que este artigo nos possa servir de ajuda, de modo a sairmos reforçados perante uma situação crítica desportiva como é uma lesão, do ponto de vista do desportista afetado, sempre e quando todos os fatores médicos, fisioterapeutas e recuperadores estejam em marcha e prontos para a recuperação desportiva ou “Return to training”.

1ª FASE “Lesionei-me sim e vou fazer tudo o possível para voltar a estar em forma”

Esta primeira fase está relacionada com a de assumir o mais rápido possível a realidade, e é onde entra em jogo a nossa atitude sem ver este momento como um problema, mas sim como uma experiência da qual vamos aprender. É claro que temos uma lesão, mas devemos consciencializar-nos de que se tornou um novo desafio, assumindo que é outra parte ativa no nosso desporto e que também temos de estar treinados mentalmente.

Além do plano estratégico médico estipulado, a nossa disposição deve estar sempre com estímulos positivos, tendo a confiança e segurança intactas, sabendo que estamos a fazer tudo o que está ao alcance do nosso organismo para voltar ao lugar e estando de forma igual ou melhor preparados do que no momento em que tivemos de travar durante a nossa preparação.

Esses primeiros dias de tomada de consciência e de pôr os pés no chão para enfrentar a realidade podem ser de muita ajuda para atacar este momento difícil. Devemos dar-nos conta de que quanto antes mudarmos o chip da dor interna por não podermos praticar a nossa atividade física a 100%, antes começaremos a estar em sintonia e ânimo com o grupo de trabalho que nos rodeia.

Assim, mudemos o “estou lesionado” por “estou a recuperar”, o “não consigo correr” por “vou voltar a correr” e assim devemos tratar todas essas afirmações um pouco mais negativas que rondam o nosso pensamento com uma atitude tão lutadora quanto a nossa vontade de voltar à pista ou ao asfalto ou à montanha.

2ª FASE “Um dia mais é um dia menos”

Esta fase está acima de marcar tempos de recuperação desportiva, é sentir as sessões médicas e de fisioterapia ou trabalho físico de prevenção-fortalecimento como parte do treino diário, utilizando e fazendo nosso o conceito “Um dia mais é um dia menos”.

Para além de vermos tempos longínquos, construiremos um presente mais próximo e cada sessão será tratada como um passo diário no nosso avanço, tornando o processo de recuperação mais suportável e motivador. Devemos ver-nos no dia a dia, as melhorias, mesmo que mínimas, são sempre ótimas, começar a visualizar-nos quando estivermos em pleno rendimento para que o ânimo não decaia e saibamos onde queremos voltar a chegar e continuamos a treinar para isso.

Quando prepararmos a mochila para o treino de reabilitação, deve ser com a mesma ilusão e objetivos de quando vamos para a pista ou para as zonas de treino, que o nosso dia a dia seja o mais parecido e real ao que realizaremos quando estivermos a 100% e até a tentar manter os mesmos hábitos alimentares e nutricionais e rotinas de descanso, mantendo a mente ativa, ocupando-a e aproveitando esse tempo que às vezes não temos por estarmos a treinar ou a competir.

Converteremos o nosso dia em mais um a recuperar e menos um para voltar. Haverá momentos de dúvidas, mudanças de humor, desespero e irascibilidade, mas devemos enfrentar com o melhor dos nossos sorrisos esses obstáculos que se interpõem no nosso caminho, porque, afinal de contas, a vida é isso, cair, levantar, aprender e tentar de novo…

3ª FASE Resiliência?

E chegamos à terceira e última fase num processo de recuperação desportiva perante uma lesão e na qual pode aparecer para ajudar o conceito de “resiliência”; essa capacidade para enfrentar a adversidade e conseguir adaptar-se bem perante as tragédias, os traumas, as ameaças ou o stress severo.

Se de algo se caracteriza um bom desportista é de crescer perante as adversidades e é por isso que, outra das razões pelas quais nos apegamos ao desporto, é pela sua faceta terapêutica em si e de grande ajuda psicoemocional para aplicar outras situações pessoais a tudo o vivido quando estamos a crescer como desportistas.

A resiliência não é algo que uma pessoa tenha ou não tenha, mas sim implica uma série de condutas e formas de pensar que qualquer pessoa pode aprender e desenvolver. Chega o momento de sermos inteligentes e plasmar tudo o que foi experienciado e evoluído durante um processo de dor, tanto física como mental, como pode ser uma lesão.

Sem dúvida, devemos aproveitar toda essa base de experiências diárias para nos tornarmos resilientes e resistentes, começar a ver a luz ao fundo do túnel com esses primeiros passos e apoios firmes e indolores, que saibamos que o nosso cronómetro vai voltar a ser conectado sem ter qualquer dúvida de que o pararemos quando nós decidirmos porque o fim do ciclo recuperador está a terminar e é hora de voltar com ainda mais força.

Passou o tempo que foi necessário e finalmente estamos entre o sinal do juiz de partida para dar o tiro e esse último dia menos tão esperado.

Mesmo antes que tudo volte a funcionar em uníssono, com corpo, coração e mente totalmente alinhados e em órbita para voltar a descolar, respiraremos muito fundo para que esse ar nos chegue à alma, essa que foi a que mais sofreu por não poder correr e sentir-se livre a voar.

Nesse momento, poderemos dar-nos conta de que nos tornamos verdadeiramente resilientes, que o processo de luta teve recompensa e que finalmente estamos onde queremos estar. As dúvidas ficam tão para trás que já não cabem na nossa mochila, agora tudo deve começar a fluir e a voltar à normalidade.

Se cumprimos bem os prazos e trabalhamos a mente da mesma forma que as zonas danificadas, juntamente com a nossa equipa de trabalho, seremos mais fortes e estaremos mais bem preparados para desfrutar de uma forma ainda maior de tudo o que de bom o presente nos tiver preparado e pelo qual lutamos.

Já trataremos a palavra lesão como mais uma aprendizagem, outra lição bem aprendida para que não volte a acontecer. E no caso de infortúnio, se voltar a acontecer, com certeza já teremos as ferramentas necessárias com estas três fases desenhadas e instauradas no nosso sistema operativo mental, para agir e intervir da melhor forma, porque se algo devemos ter muito claro e que tentei expor e transmitir é que…

A ILUSÃO NUNCA SE LESIONA COM O FIM DE QUE A NOSSA ALMA DOA O MÍNIMO POSSÍVEL.

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