Mulheres que correm para aliviar as dores da Endometriose
Mulheres que correm para aliviar as dores da Endometriose
Neste artigo, explicamos como aliviar as dores da endometriose, que afeta diretamente a saúde das mulheres, embora não a possa eliminar para sempre.
Continuamos em confinamento e muitos dos nossos corredores já estão a subir pelas paredes. Mas há um caso particular que nos preocupa um pouco mais, o da Marina.
correr é uma atitude
O facto de não poder sair para correr afeta-a muito mais do que os outros corredores populares. E mais concretamente nos dias em que tem dores tão fortes que não consegue treinar.
Redigimos este artigo para dar a conhecer uma doença que afeta apenas as mulheres. E para oferecer uma forma de mitigar a dor a quem a sofre. Duas corredoras confirmaram-nos que o seu médico lhes recomendou correr para aliviar essas dores.
Outro objetivo deste artigo é dar a conhecer mais uma razão que leve uma mulher a praticar corrida. Nas corridas populares, costuma haver 70% de homens e 30% de mulheres. E a equipa da Be Urban Running gostaria que isso se equilibrasse com uma maior presença feminina.
O motivo para escrever sobre a Endometriose
O motivo é muito simples. Há pouco tempo, celebrámos o 8 de março como o Dia Mundial da Mulher. E estivemos a conversar com corredoras que nos contaram as suas experiências como corredoras para o post que publicámos nessa semana. E entre as raparigas com quem falámos está a Marina.
A Marina disse-nos que corre porque é uma mulher que vive com uma doença muito pouco conhecida e muito dolorosa. E o pior de tudo é que não tem cura. E disse-nos uma frase muito poderosa:

Eu corro pela saúde. Ou isto rebenta, ou rebento eu
Também nos contou que a sua ginecologista, que também é corredora, lhe disse que correr poderia mitigar as dores intensas que sente quando lhe vem o período.
Demoraram 12 anos a diagnosticar-lhe a doença. E ainda por cima disseram-lhe que a dela era a severa.
A Marina começou a correr tarde, já mãe de uma filha fantástica. Fê-lo por ser boa pessoa, para acompanhar uma amiga numa corrida que corria há pouco tempo.
E à medida que ia treinando, apercebeu-se de que se sentia melhor porque as cólicas já não a atacavam com tanta força. E que, embora tenha dores, ela sai na mesma para treinar, mais, sai com mais vontade.
Repete que correr a ajuda muito. Que lutar contra essa dor é uma motivação para continuar a correr.
A sua corrida preferida é a Meia Maratona de Valência. Já foi duas vezes e este ano quer repetir. Também tinha um dorsal para a Meia Maratona de Elche, mas foi anulada na mesma semana em que Espanha parou.
O que é a endometriose
Segundo a Wikipédia: A endometriose consiste no aparecimento e crescimento de tecido endometrial fora do útero, sobretudo na cavidade pélvica, como nos ovários, atrás do útero, nos ligamentos uterinos, na bexiga urinária ou no intestino (…).
A causa da endometriose é desconhecida. E muitas mais mulheres do que podemos imaginar sofrem dela.

O tecido endometrial engrossa, decompõe-se e sangra a cada ciclo menstrual. E como não tem forma de sair do corpo, fica preso. Se a endometriose afeta os ovários, podem formar-se quistos chamados endometriomas.
De momento, não existe uma cura definitiva para a endometriose. Apenas se aplicam diferentes tratamentos que incluem analgésicos para a dor (em casos severos chega-se à morfina), tratamento hormonal e cirurgia.
A outra solução é fazer exercício, como correr no caso da Marina. Nos treinos, melhora o fluxo sanguíneo e aumentam as endorfinas. Estas são analgésicos que produzimos nós próprios, no nosso organismo. Ajudam-nos a acalmar de forma natural certas dores.
A endometriose não tem cura. É uma doença crónica, benigna, ou seja, não é mortal. É progressiva até à menopausa, momento em que os estrogénios diminuem.
Na Internet, podem encontrar-se estudos que afirmam que as mulheres que realizam exercício moderado durante a adolescência e de alta intensidade durante a idade adulta podem ter até 76% menos probabilidades de desenvolver endometriose. Se forem comparadas com mulheres que não realizam nenhum tipo de atividade física.
Correr como atitude para superar doenças
Este é um novo caso em que correr é uma atitude. Uma forma de superação pessoal.
Para a Marina, correr é uma motivação para viver com mais qualidade. Uma ajuda para aliviar uma dor. Ela corre pela saúde. Mas se perguntássemos a todos, temos uma razão para correr.
E o mistério está nas endorfinas. Quando calçamos as sapatilhas de corrida e saímos para correr, geramos esse anestésico natural. E acontece que nos leva a um círculo virtuoso em que voltamos a correr para queimar endorfinas e com isso vamos gerar endorfinas novas.
Simplesmente, temos de treinar e ser um corredor popular. Não é preciso ir bater recordes. O seu grande objetivo pode ser simplesmente terminar as corridas em que se inscreve. Isso já é um desafio para muitos, e um desafio muito satisfatório.
Para a Marina e muitos outros, a felicidade reside em como percorre o caminho… Fazer os seus treinos semanais e divertir-se pode ser muito mais satisfatório do que terminar uma corrida com um determinado registo…
E quando treina e compete acompanhado, esse bem-estar pode ser ainda maior.
Da Be Urban Running queremos encorajar todos aqueles que consideram o running como uma atitude ou uma ajuda para superar alguma situação adversa. Se for o seu caso, conte-nos.
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