A chave para o sucesso de Yomif Kejelcha na Maratona de Londres
A estratégia secreta e a chave para o sucesso de Yomif Kejelcha com a Santa Madre na Maratona de Londres: como ele usou a nutrição para ter o máximo desempenho.
Cada vez é mais evidente que as grandes maratonas não são vencidas apenas com mais quilómetros de treino. Quando falamos em correr ao mais alto nível, a nutrição torna-se uma parte essencial e fundamental do desempenho. E isso ficou demonstrado no protocolo que a equipa da Santa Madre partilhou com Yomif Kejelcha após a sua participação e o seu sucesso ao conseguir fazer um tempo de menos de 2 horas na Maratona de Londres.
Pudemos ver o documento exato com todo o planeamento nutricional: horários, quantidades, géis, cafeína e até o lado da mesa onde devia apanhar cada produto durante a corrida.
E sim, tudo foi medido ao milímetro.
A nutrição de Yomif Kejelcha na Maratona de Londres começou antes da partida.
Um dos detalhes mais interessantes do protocolo foi a estratégia pré-corrida.
Entre as 6:15 e as 7:30, Yomif ingeriu 750ml de um novo protótipo de carboidratos líquidos da Santa Madre. Mas não o fez de uma só vez. O documento indicava claramente: «pouco a pouco». Ou seja, consumir progressivamente.
Este detalhe faz muito sentido fisiologicamente:
- Manter a glicose estável
- Melhorar a absorção
- Chegar com energia disponível sem saturar o estômago
Após o aquecimento, a estratégia continuou com:
- GEL UNUSUAL 45 100 CAF
- Acompanhado por 4 goles de água
Outro ponto-chave da corrida de elite atual: combinar carboidratos e cafeína pouco antes do esforço máximo para potenciar o desempenho e a ativação neuromuscular.
Durante a corrida, o protocolo continuou a ser extremamente preciso.
- KM 10 – GEL RESET + 20 ml
- KM 15 – 63ml COMBUSTÍVEL UNUSUAL
- KM 20 – Gel 45 CAF
- KM 30 – GEL RESET + 20 ml
- KM 35 – 58ml COMBUSTÍVEL UNUSUAL

A equipa da Santa Madre incluiu no documento indicações chave para Yomif, ao lado de cada produto adicionavam a palavra ESQUERDA ou DIREITA.
A razão?
Indicar o lado exato da mesa de avituallamiento onde cada produto estaria colocado para evitar erros ou perdas de tempo durante a corrida.
E mesmo que possa parecer um detalhe menor, numa maratona de elite cada segundo e cada gesto contam.
O novo protótipo da Santa Madre que chega em setembro
A parte mais notável de toda a estratégia foi o uso de «Unusual Fuel» e um novo protótipo da Santa Madre que ainda não foi lançado e que chegará oficialmente em setembro.
A ideia por trás do produto parece muito clara: Carboidratos líquidos, melhor digestibilidade, ingestão progressiva e energia constante durante a corrida.
Tomado em pequenos goles, facilita um fornecimento contínuo de energia sem causar saturação digestiva.
A chave para o sucesso na Maratona de Londres de Yomif Kejelcha com a Santa Madre:
A nutrição de Yomif Kejelcha na Maratona de Londres reflete perfeitamente como o running moderno está a evoluir: já não se trata apenas de ingerir muitos carboidratos, mas sim de otimizar como e quando o corpo os absorve.
Por que esta estratégia faz tanto sentido numa maratona como a de Londres.
Um dos grandes problemas em longa distância é o colapso digestivo quando o corpo deixa de tolerar géis ou bebidas demasiado concentradas.
Por isso, cada vez mais atletas procuram:
- Ingestas progressivas
- Formatos mais líquidos
- Distribuições exatas de carboidratos
- Evitar grandes ingestões de uma só vez
Isto ajuda a:
- Manter a energia estável
- Atrasar a fadiga
- Reduzir desconfortos gastrointestinais
- Manter ritmos altos por mais tempo
E aí reside precisamente uma das chaves das maratonas modernas.
O que um corredor amador pode aprender com isto.
Embora esta estratégia seja desenhada para um atleta de elite, o conceito é totalmente aplicável a corredores amadores.
Muitos corredores poderiam melhorar simplesmente:
- Planeando melhor quando tomar cada gel
- Treinando a nutrição em tiradas longas
- Evitando tomar carboidratos de uma só vez
- Hidratando-se melhor juntamente com os géis
Porque uma maratona não se corre apenas com a capacidade de continuar a alimentar o corpo quando a fadiga aparece.
A corrida de elite já trata a nutrição como parte fundamental do treino.
A colaboração entre Yomif Kejelcha e a Santa Madre deixa uma ideia muito clara: a nutrição já não é um complemento, é uma ferramenta de rendimento.
O running de alto nível está a entrar numa nova era, cada detalhe conta: tempos, quantidades, absorção, cafeína e estratégia.
Para entender melhor tudo isto, perguntamos a José Luis Mulero @nutre.mule, nutricionista desportivo e especialista em rendimento:
O que a equipa da Santa Madre conseguiu com Yomif é incrível: fazer história na estreia de uma maratona, baixando das duas horas. Isto implica que o protocolo nutricional durante a corrida foi perfeito a nível teórico e executado quase na perfeição na prática.
No entanto, a chave não esteve apenas no dia da corrida.
A nutrição foi treinada paralelamente à corrida, permitindo que Yomif tolerasse uma ingestão muito elevada de carboidratos por hora. (Para contextualizar, o normal em corredores populares é entre 60 e 90 g/h)
Isto demonstra que a equipa da Santa Madre entendeu algo fundamental: a nutrição é parte do treino.
Eles a usaram como mais uma ferramenta para melhorar o desempenho e há algo fundamental que não pode ser ignorado: o treino de nutrição não pode ser deixado para o último dia, é trabalhado durante semanas para que o corpo assimile e responda corretamente no dia da competição.
É claro: se não treinar a nutrição antes do seu objetivo principal, não está a otimizar 100% do seu potencial.
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Porque hoje, muitas vezes, a diferença entre manter o ritmo ou explodir no quilómetro 35 começa muito antes da partida.