Como sair de uma Meia Maratona com mau resultado
Como ter um mau desempenho numa Meia Maratona
No passado dia 22 de março, realizou-se a XLIII edição da Meia Maratona de Elche (Alicante). E, como de costume, lá estive eu, a apoiar cada um dos meus colegas, a dar a voz por eles, na partida, nos quilómetros 7, 14, 19 e na chegada à meta.
Mas, o que aconteceu desta vez?
As sensações vividas não foram as desejadas por eles.
Começámos com a expectativa de um dia de chuva, mas o sol surpreendeu-nos e brilhou intensamente desde o tiro de partida até ao final do evento.
No quilómetro 14, sinto falta de alguém que não vejo passar.
Talvez estivesse distraída, mas não, no quilómetro 19 também não passa e, ao verificar o tempo que levavam, 1 hora e 43 minutos, tudo indicava que essa pessoa tinha desistido. Nesse ponto, uma rapariga cai exausta no chão, tudo apontava para uma desidratação.
Um colega sorri-me no quilómetro 14, mas ao passar pelo quilómetro 19, avisa-me que está exausto.
Como se não bastasse o que tinha visto, ao terminar a prova, informaram-me de mais factos: sensação de sede durante toda a corrida; cólicas; o gel não me fez efeito…
Analisemos os possíveis motivos de cada uma destas situações. Uma Meia Maratona é uma prova de resistência e, devido à sua duração, de 1:15 a 2 horas.
Por isso, devemos ter em conta uma correta preparação prévia, onde incluímos alimentação, hidratação, treino e descanso.
Se não cumprirmos estes fatores, poderemos encontrar-nos em alguma das situações comentadas anteriormente.
3 problemas que podemos evitar:
– Começar o evento com sensação de sede
Se a alimentação e o treino são importantes para correr 21km, a hidratação não é menos. Neste caso concreto, a pessoa confirmou-me: “A hidratação falhou-me, ontem à noite fui beber cervejas”. Acho que não é preciso acrescentar mais nada.
Desistência no quilómetro 12 devido a problemas gastrointestinais. Os nutricionistas insistem que a alimentação prévia a um evento deve ser treinada, assim como a suplementação que iremos tomar durante o mesmo.
Não devemos tomar produtos que não tenhamos testado previamente e que saibamos com certeza que o nosso organismo tolera bem. O corredor tomou um gel que desconhecia antes do início da corrida e outro no quilómetro 8, os sintomas que teve foram: suor excessivo, cólicas, diarreia, aparecimento de manchas vermelhas e fraqueza.
Devemos conhecer muito bem o gel que vamos tomar, que tipo e quantidade de hidratos de carbono fornece, teor de cafeína, em que momentos deve ser consumido, etc.
– Desmaios imprevistos
Isso pode estar relacionado com um estado de hiponatremia (diminuição brusca da concentração de sódio no sangue) ou com desidratação. Para manter os níveis de sódio no sangue, devemos beber durante a prova bebida isotónica e/ou consumir algum gel.
Além disso, para manter o estado de hidratação, deve-se beber um gole de água a cada 15-20 minutos. – Diminuição do ritmo na última parte e sensação de exaustão.
Esta situação é encontrada por diversos motivos, vou destacar três que foram os que ocorreram: ingestão incorreta de hidratos de carbono no dia anterior; falta de hidratação; não repor hidratos de carbono durante a prova. Fico sem palavras.
– Não notar o efeito do gel
O facto de tomar um gel durante uma prova não significa que se vai tornar o Papa-Léguas. Significa que o vai ajudar a repor as perdas de glicogénio e sais.
De modo a que termine o evento com uma melhor sensação e a sua recuperação seja mais rápida. Mas agora, com o que nos deparamos neste caso? Nada mais e nada menos do que a pessoa não tinha jantado!!!
E, além disso, tinha-se hidratado exclusivamente com uma bebida isotónica, pelo que durante toda a corrida esteve com sensação de sede.
Apesar disso, queremos que o gel faça milagres. Espero que cada um deles tenha aprendido com a experiência vivida e que, para a próxima, estejam mais conscientes do que não devem fazer.
E se vai estrear-se pela primeira vez, tenha presente este artigo para não cometer erros e tentar sair ileso dos 21km.
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